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domingo, 18 de março de 2012

Servidos na Bandeja

Era um grupo com nome contraditório? Ou se tratava apenas de um armazém musical? Afinal, como alguma coisa poderia ser seca e ao mesmo tempo molhada? Mas, aquele & comercial no meio do nome dava a pista que precisávamos. Na veia dos Secos & Molhados corria sangue latino e dos bons.  Figurinos extravagantes e maquiagem colocavam aquelas quatro cabeças numa bandeja no melhor “assim assado” da década de 70. O vocal, a dança esquisita e contorcionista, aliada a uma voz límpida e magistral, cataputou  Ney Matogrosso e jogou para o alto a velha maneira de se apresentar num palco.
Como era profunda a letra de Rosa de Hiroshima de Vinicius de Moraes. Afinal, como não pensar naquelas crianças mudas e telepáticas, nas meninas cegas e inexatas, nas mulheres com rotas alteradas, nas rosas cálidas de todos as feridas abertas pelos americanos no Japão? Os Secos & Molhados tinha cor e perfume e marcou para sempre nossa história musical.  

sábado, 10 de março de 2012

Uma escada para o céu


Aquele velhinho, corcunda, apoiado numa bengala improvisada, com um enorme molho de lenha seca nas costas, nos intrigava. O que ele fazia ali na capa de um dos melhores discos de hard rock e haveavy metal do início dos anos 70? Led Zeppelin IV (1971) foi um dos melhores discos de rock e fez o Led encher estádios. A balada Stairway To Heaven se tornou à canção mais tocada até hoje, principalmente, nas rádios dos Estados Unidos. Usávamos muito este disco em nossas festas de garagem. Black Dog e Rock And Roll disparava a nossas guitarras invisíveis e sacudia nossas cabeleiras, espalhando fumaça para todos os lados. Os riffs de Jimmy Page, catapultavam nossas imaginações e serviam de referência para as bandas locais. Going To Califórnia nos fez conhecer aquele que seria mais tarde o paraíso dos surfistas, sem nunca ter ido lá. Gostávamos da Califórnia por causa da música do Led e sonhávamos com o paraíso ao ouvir Stairway To Heaven. There's a lady who's sure all that glitters is gold... É, a velha senhora tinha razão, tudo que brilha é ouro e o Zeppelin brilhava muito. Quem comprava o Volume IV comprava de fato uma escada para o céu.
       

quarta-feira, 7 de março de 2012

Como a música "Time" do Pink Floyd salvou uma vida

Numa noite, numa festa de garagem onde ouvíamos Pink Floyd, ouvi a seguinte estória. Contava-me um conhecido que a banda de rock britânica de  Roger Waters, Nick Mason, Richard Wright,  Syd Barrett e mais tarde, em 68, David Gilmour, havia salvado sua vida. Perguntei-lhe como? E então ele me disse que numa viagem pelo interior do estado (SC) em um fusca, ele seguia por uma estrada de chão batido e numa curva fechada capotou o carro e foi parar no meio do mato, apagou geral. Mas, como estava com o toca-fitas do carro ligado, foi acordado com o despertador da musica "time" do álbum The Dark Side of the Moon  e assim, pode sair daquela situação terrível onde, ferido, com escoriações por todo o corpo, inclusive na cabeça, corria risco de morte. 
De fato aquele despertador do Pink Floyd acordou muita gente, mas, neste caso específico salvou uma vida. Acho que a turma da banda deveria conhecer este episódio, afinal, é raro uma musica salvar uma vida. Interessante que o 'The Dark Side of the Moon (1973), fala de pressões, loucura e morte e é considerado por muitos como a obra prima da banda. Eu ouvi muito este disco.  

segunda-feira, 5 de março de 2012

O pico de passagem


Um filme, mais especificamente, uma trilha sonora, mudou a história do rock. Tony Manero, personagem de John Travolta, um jovem do Brooklin, caminhando a passos largos, sapatos bico fino e calça justa, é a cena inicial do filme Saturday Night Fever, ou, como queiram, Os Embalos de Sábado a Noite para nós tupiniquins. Manero anda e dança ao mesmo tempo, sob um fundo musical que colocava o rock pesado em segundo plano, era o Stayin Alive do Bee Gees. A, a, a, a, Stayin Alive, que sacudiu a poeira e empurrou o Dance Music  ao topo das paradas em todo o país.
John Travolta virou ídolo e as discotecas tomaram conta do cenário musical. Os roqueiros levaram um susto, mas a qualidade musical dos Bee Gees não deixou a fenda se abrir no chão. Night Fever, More Than a Woman, Jive Talkin, foram as músicas mais tocadas no final dos anos 70 e mudou o jeito da galera dançar e também de se vestir. O filme também deu asas para o instrumental fantástico de David Shire. Saturday Night Fever é o ponto mais culminante da passagem do Rock ao Dance e, graças a competência do Bee Gees, marcou a memória musical de toda uma geração.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

DJs dos anos 80

No início dos anos 80, eu e mais três amigos resolvemos investir numa aparelhagem de som para fazer festas de garagem. Ouvíamos muito rock e porque não compartilhar nossos gostos musicais? Assim, emprestamos nossas iniciais e surgiu o F.L.S.D. Nosso intuito? Com certeza não era ganhar dinheiro. Nosso propósito era mais singelo, a diversão, a “curtição” e, claro, as garotas. Fomos os primeiros DJs da cidade. Naquela época as melhores bandas e, conseqüentemente, os melhores vinis ou “bolachões”, na sua maioria, tinham de ser importados. Os efeitos luminosos, como a luz negra, os canhões de lazer, o strobo rítmico e outros luxos disponíveis hoje em dia em qualquer loja de eletrônicos, eram raros, para não dizer que custavam os olhos da cara. Assim, fazíamos nossas geringonças de efeitos luminosos na garagem de casa, com faróis velhos e papel celofane, muita criatividade e trabalho duro (muitas vezes no serrote mesmo). Mas a noite vinha e com ela a recompensa, muito rock na cabeça. A trilha sonora, (que hoje se chama playlist) era preparada com antecedência, mas acabava não rolando, o improviso ficava mais ao gosto da rapaziada. Vestíamos causas Lewis caninho (eu tinha apenas uma e bem surrada) e geralmente começávamos as festas tocando Deep Purple uma banda de heavy metal inglesa que tinha Ian Gillan no vocal e Ritchie Blackmore na guitarra.   Smoke on the water celebrizou o Deep Purple e o F.L.S.D. e fazia de nós os quatro rapazes mais inovadores da famosa Rua Iano.  

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Essa é a vidaaaaa, gostosa e divertidaaaa


No final dos anos 80 uma banda nacional fazia um rock performático de qualidade e que agradavam por demais os nossos exigentes ouvidos, era o  Casa das Máquinas. Formada por ex-integrantes dos Incríveis, a banda mandava muito. Furei o disco “Casa de Rock” de 1976 de tanto ouvir e viajava no clipe do pessoal sem camisa entre grandes máquinas mandando ver. Certo dia A Casa foi fazer um show em Floripa. Juntamos a turma para ir ao show, no meio da fumaça “calçamos” nossos bolsos com pequenos recipientes (de vidro) abarrotados de 
Whisky que passavam longe, bem longe de  Johnnie Walker e  Black Label, e se fomos para a FAC (Federação Atlética Catarinense). Lugar de estrutura pobre, sem a polícia por perto, deu a lógica, o Show acabou em pancadaria, com diversas garrafas indo parar em cima do palco. Netinho e Pisca, do Casa das Máquinas, ficaram putos e encerram o show depois de tocarem 3 ou 4 músicas. A galera rebelde por natureza queria quebrar o ginásio, a polícia chegou para acalmar os ânimos e nos mandar para casa. Saímos todos frustrados, acendemos um careta, mandamos os meganhas para aquele lugar e fomos pra casa do Kiko ouvir o psicodélico Pink Floyd (Meddle de 1971) acotovelados num quarto de 2 x 2.  E, o que é pior, sem nenhuma guria por perto. Teve gente que levitou aquela noite.  ♪♪ Essa é a vida, gostosa e divertida ♪♪♪